
Entrevista com Giovanni Ribisi do elenco de apoio de Friends
Lembra-se de Giovanni Ribisi? Talvez não pelo nome, mas o rosto do ator é
familiar, principalmente para os fãs de "Friends". Integrante do
elenco de apoio em quatro temporadas da série, do segundo ao quinto ano, Ribisi
conseguiu ser ainda mais lunático que Phoebe (Lisa Kudrow), vivendo seu irmão
mais novo. Frank Buffay Jr., seu personagem, pediu "emprestada" a
barriga da irmã para gerar o seu filho - já que a namorada Alice (Debra Jo
Rupp), muito mais velha, não podia engravidar. "Ainda sou reconhecido nas
ruas pelo papel", conta o ator, responsável pela hilária frase:
"Minha irmã será a mãe do meu filho".
Apesar dos 26 anos, Ribisi já é um veterano da televisão. Desde que estreou
aos nove anos, fazendo comerciais, atuou em várias séries, principalmente cômicas,
como "Anos Incríveis", "Family Album" e "My Two
Dads". Ainda fez participações especiais em "Ellen",
"Married With Children", "Nova York Contra o Crime" e
"Chicago Hope".
Ultimamente, porém, o ator tem redirecionado a carreira para o cinema, onde
traz títulos de expressão no currículo, como "O Resgate do Soldado
Ryan", de Steven Spielberg. "Quero tomar água de várias
fontes", disse o ator, que contracenou com
Nicolas Cage em "60 Segundos", fez par romântico com Juliette Lewis
em "Simples como Amar", atuou ao lado de Claire Danes em "Mod
Squad - o Filme - e recebeu ótimas críticas no último Festival de Cinema de
Berlim, onde mostrou seu título mais recente: "Heaven", com direção
do alemão Tom Tykwer, de "Corra Lola, Corra" e a atriz Cate Blanchett
no elenco. Em "Heaven", com estréia agendada nas telas brasileiras
para o primeiro semestre, Ribisi vive policial que ajuda terrorista arrependida
(Blanchett) a escapar da prisão.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Canalsony.com,
no luxuoso hotel Four Seasons de Berlim.
Frank, seu personagem em "Friends", algum dia voltará série?
Acredito que não. Os
produtores e roteiristas usam personagens do elenco de apoio por um tempo, mas
depois os abandonam trazendo novos tipos. Neste momento da minha carreira,
confesso que gostaria de me afastar por um tempo
da televisão.
Como encara sua participação em "Friends"? Até que ponto a série
deu um empurrãozinho em sua carreira no cinema?
Como estava começando a
fazer cinema, "Friends"" me deu a visibilidade que faltava. A série
inegavelmente proporciona uma superexposição. Os produtores de
"Friends", que eu conheci por conta de outro trabalho que fiz, me
chamaram justamente para me ajudar. Tenho muito respeito por todos da equipe. São
pessoas muito inteligentes que souberam aproveitar a chance que tiveram.
Por ser uma das sitcoms top de linha nos EUA, "Friends" É famosa
por exigir o máximo dos atores, forçando-os a passar incontáveis horas no
set. Como era o
clima nos bastidores nas temporadas em que você atuou?
Como eu sempre trabalhava
em outros projetos simultaneamente, chegava em cima da hora para gravar. Muitas
vezes sem ter ensaiado no início da semana ou
mesmo decorado as minhas falas. Tinha de olhar para o roteiro rapidinho e fazer
tudo na hora. Por conta disso, não posso dizer que sofri o mesmo que os atores
principais, tendo de passar horas no set. Aliás, isso impediu que eu
me sentisse parte do grupo. Quase nunca tinha tempo para conversar com o elenco
durante os intervalos, enquanto a equipe técnica cuidava dos detalhes de luz e
câmera. Foi um período estressante para mim, mas a experiência de
fazer TV diante da platéia, com feedback instantâneo, foi extraordinária.
Como foi voltar a atuar com David Schwimmer no cinema, em "All the Rage"?
Foi ótimo trabalhar
novamente com David. Eu o admiro muito porque ele está sempre fazendo trabalhos
paralelos. Levando em conta quanto ele e os outros atores do seriado ganham por
semana (cerca de US$ 800 mil), David poderia
tranquilamente relaxar. Mas não. Gosta de se sentir desafiado
profissionalmente. Além de dirigir alguns episódios de "Friends",
ele atua sempre que pode nos palcos e no cinema. Conseguiu dispensa de dois episódios
da série para rodar "Hotel", com o cineasta Mike Figgis, em Veneza.
Um
filme de baixo orçamento que praticamente não lhe rendeu nada financeiramente.
Assim como os outros atores da produção, ele recebeu cachê com base na tabela
do sindicato.
Quando você decidiu trocar a TV pelo cinema?
Justamente no período em que atuava em "Friends". TV É um veículo bastante confortável para quem quer ter a garantia de receber salário todo mês. Mas eu me cansei disso e passei a buscar trabalhos diferentes, principalmente no cinema " área em que eu pretendo concentrar minhas forças.
Como foi a transição?
Do ponto de vista
financeiro, catastrófica. Eu cheguei a ter sete dólares na conta bancária,
sem saber quando receberia o próximo pagamento. Mas acredito que todos os
atores passam por isso. EntÃo resolvi me comprometer seriamente
com o cinema e me preparei para colher os frutos a longo prazo.
É verdade que você correu atrás do papel de Filipo, o policial de "Heaven"?
Foi a primeira vez em que
realmente persegui algo profissional na minha vida. Simplesmente peguei um avião
e fui conversar com Tom Tykwer em Hamburgo, na Alemanha. Eu me encantei com
Filipo pela maneira como ele se entrega totalmente a outro ser humano, a ponto
de não julgar as atitudes de quem ele ama. Não interpreto como ingenuidade,
mas sim como pureza. Eu não sei se
acredito nisso, mas foi justamente essa dúvida que me motivou a interpretar o
personagem. Sem falar que estava louco para rodar um filme fora de Los Angeles,
onde a população tem sofrido de deficiência cultural. Infelizmente
os atores parecem ter perdido a concepção verdadeira do que é ser ator. O que
na minha opinião significa experimentar. Tudo gira em torno das aparências. é
um festival de egos.